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Pense um pouco em você

Todos nós nascemos pequenos e frágeis, e já chegamos ao mundo precisamos de cuidados. Isso muda, em certa medida, conforme vamos crescendo. Mas muito ou pouco, mais ou menos, todo mundo precisa de ser cuidado, de alguma forma. Fisicamente, emocionalmente, espiritualmente, e por aí vai. Somos cuidados, e aprendemos a cuidar uns dos outros.

A gente cresce, aprende a se virar, e ao ver tanta gente precisando de tanta coisa ao nosso redor, nos dispomos a ajudar, principalmente aqueles que mais amamos. Isso não é nem um pouco ruim. Pelo contrário, um sinal claro da generosidade e do altruísmo que há em nós, em medidas e formas diferentes em cada um. O problema é quando chegamos ao ponto em que cuidamos de tudo e todos, e acabamos nos deixando pra trás.

Se você já andou de avião, deve ter reparado nas famosas instruções de segurança demonstradas antes de toda viagem, até para passageiros frequentes. Enquanto eu refletia sobre essa questão, dias atrás, me lembrei de uma frase falada pelos comissários ao mostrar as máscaras de oxigênio: “Auxilie crianças ou pessoas com dificuldades após colocar a sua máscara.”

Isso mesmo. “Após colocar a sua máscara”. Refleti com cuidado sobre essa afirmação, até porque sei que há casos e que mesmo estando em pedaços, não podemos abandonar familiares ou entes queridos que tanto precisam de nós. Mas mesmo nessas situações, é fato que não conseguiremos ajudar se não tivermos condições.

Por que o comissário nos orienta a auxiliar pessoas com dificuldades após colocar nossa máscara? Porque se não colocarmos ela primeiramente em nós, morreremos, e aí sim não poderemos ajudar ninguém.

Vivi por muito tempo com a ilusão de que deveria cuidar de muita coisa ao meu redor que não dependia de mim, e que se eu não me preocupasse com isso, certamente tudo ia desandar. Ao tentar resolver os problemas de todos, esquecia de mim constantemente, e aí, em vez de ajudar, acabava atrapalhando.

Ajudar os outros em suas dificuldades, tentar resolver problemas ou amenizar situações que claramente os estão prejudicando, é um ato nobre. Sim! Mas que nobreza há nisso, se para cuidar de outrem acabamos nos desgastando completamente?

Pensando sobre isso, cheguei a duas conclusões que acredito que são importantíssimas: o cuidado, por mais que seja algo que devemos ter uns pelos outros, é uma das ações mais individuais que existem. A primeira pessoa que deve obrigatoriamente cuidar de mim, sou eu. Isso porque, de maneira direta, ninguém tem a obrigação de fazê-lo. E se ninguém cuidar de você, cuide-se. E mesmo que alguém queira cuidar de você, cuide-se assim mesmo. Porque você, mais do que ninguém, sabe onde “o sapato aperta”.

Ao fazer essa primeira reflexão, constantemente eu me perguntava: “Será que pensar assim é um ato egoísta?” E foi aí que cheguei à segunda conclusão: Não! Não, porque se eu deixar de cuidar de mim, não serei capaz de cuidar de ninguém. Não poderei colocar a máscara de oxigênio nos outros se tiver morrido asfixiada.

Quando pensar em ajudar alguém com algum problema, aconselhar um amigo, dar um puxão de orelha em um irmão, esteja atento a como (e se) isso te afeta, te prejudica, te entristece. Faça o que lhe cabe, de coração aberto, mas saiba: você não pode resolver tudo para eles, por mais que queira. Não há problema em ajudá-los, mas se isso de alguma maneira estiver te fazendo definhar, pare um pouco e cuide de você primeiro. Se apagar o incêndio do outro estiver fazendo você se queimar inteiro, se dê um tempo.

Pare. Respire. Saia pra dar uma volta. Tome um café em silêncio, atente-se ao que dói em você e cuide disso. Fique um tempo na sua, se perceber que é preciso. Se afastar um pouco para cuidar de você te dará condições para desfrutar da sua vida, que é somente sua, e a fazer por eles algo que de fato está ao seu alcance, sem que isso te prejudique.

Não se esqueça: você é a única pessoa que vai passar o resto da vida ao seu lado. Então, se cuide. Respeite seus limites. Se dê um tempo.

Tá tudo bem!

“[…] Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” – Mateus 22:39