Cartas

Aos indecisos

Oi.

Se essa carta chegou até você, provavelmente sua cabeça está uma bagunça agora. Você faz desenhos, constrói cenários e cogita um milhão de possibilidades, das quais nem sequer a metade é concreta ainda. E isso está sugando toda a sua atenção. Eu sei. Mas calma. Pare um minutinho suas reflexões, e preste atenção no que vou tentar te explicar.

Tomar decisões é obrigatório. Mesmo não decidir é uma decisão. Mas no meio disso tudo, antes que você surte ou tome uma decisão de maneira desesperada, existem algumas coisas que acredito que você precisa saber.

Sabe, algumas decisões não são tão importantes quanto você pensa, nem vão ter na sua vida o impacto que você acredita que terão. Outras são mais importantes, e podem realmente mudar o seu futuro. Nesses casos, a reflexão é difícil, penosa, e a cobrança em decidir certo é gigantesca. Eu entendo. Entendo de verdade, porque já passei inúmeras vezes pela mesma situação.

Acontece que por mais que você pense, repense, considere, pondere, não tem como ter certeza de qual será a decisão absoluta e inquestionavelmente certa. Primeiro, porque você não pode acelerar o tempo e ver se essa decisão resultará exatamente no cenário que você está imaginando. Talvez esse cenário não seja de fato o melhor pra você, nem esse, nem todos os outras nos quais você pensou.

É possível que hoje você escolha fazer faculdade de Letras, esteja encantado com o curso e a profissão e sinta de verdade que esse é o seu caminho. Depois de um tempo, você pode parar, olhar os resultados da sua escolha ou como você se sente diante deles, e pensar: não era bem isso que eu queria. E esteja certo: não existe nenhum demérito em mudar seu caminho se é isso que você verdadeiramente quer pra você.

Para qualquer decisão que você for tomar na vida, mas principalmente para aquelas que podem mudar todo o seu futuro e que você quer que sejam para sempre, é necessário primeiro uma coisa, que só depende de você: se conheça.

Saber quem você é, em detrimento de todas as influências que te cercam, de toda a obrigação inconsciente de agradar aos outros e da sua vontade de eliminar toda a possibilidade de erro, é imprescindível pra qualquer decisão.

Se preferir, fique uns minutinhos sozinho e converse com você mesmo. E não, isso não é coisa de gente louca. Essa é inclusive uma forma de se respnsabilizar diante das suas escolhas.

Te digo isso porque suas escolhas são suas. Apenas suas. Você pode ouvir e considerar a opinião de muitas pessoas que tem autoridade sobre a sua vida (autoridade no sentido de ser pessoas pelas quais você tem grande consideração e que são importantes pra você).

Ouví-las com atenção e coração aberto, sem a cobrança de ter que agradá-las, é muito válido e importante. Mas no fim das contas, quem estará lá na frente, lidando com aquilo que escolheu é você.

Quem trabalhará com o que escolheu é você. Quem cuidará das crianças é você. Quem se olhará no espelho depois do que foi mudado é você. Quem conviverá todos os dias da vida com a pessoa que escolheu é você.

E se você escolher “errado”? Por mais que você se conheça e esteja tranquilo com suas decisões, é impossível te dizer que não existe possibilidade de “errar”. Diante disso, só me cabe te dizer a certeza que tenho: não será o fim do mundo. Você irá aprender com isso, irá criar um novo cenário para sua vida depois de tudo, e irá decidir de maneira mais acertada dali em diante.

Não tenha medo de decidir. Decida, acima de tudo, com o seu coração. Não se martirize pensando como teria sido se você tivesse ido para o outro lado. Aquele caminho que você não trilhou, não existe. E fique tranquilo. Essa vida tem possibilidades incontáveis, e qualquer que seja a que você tenha escolhido, fica tudo mais leve se você souber Quem está caminhando com você.

Um grande abraço e fique com Deus.

Com amor,

Lorraine.